quarta-feira, 27 de maio de 2026

1 - O Mestre singular

 

Um dia Jesus estava orando num certo lugar. Quando acabou de orar, um dos seus discípulos pediu: “Senhor, nos ensine a orar, como João ensinou os discípulos dele. ” – Lucas 11.1 (NTLH)

Os discípulos haviam estado com Cristo e viram-nO orar. Haviam aprendido a perceber uma ligação íntima entre sua extraordinária vida pública e sua vida secreta de oração. Haviam aprendido a crer n'Ele com Mestre na arte da oração, pois ninguém podia orar como Ele. Tudo isso justifica o pedido: "Senhor, ensina-nos a orar". E anos depois eles nos conscientizariam por meio de seus escritos que as lições de Jesus sobre oração estavam entre as coisas mais maravilhosas e sublimes transmitidas pelo Mestre. [...]

À medida que crescemos na vida cristã, o pensamento e a fé na incessante e infalível intercessão do Amado Mestre tornam a oração algo ainda mais precioso, e a esperança de interceder como Cristo ganha um atrativo totalmente novo para nós. E conforme O vemos orar, e reconhecemos que ninguém pode orar nem ensinar como Ele, sentimos a mesma necessidade que os discípulos sentiram de pedir: "Senhor, ensina-nos a orar". E enquanto pensamos em tudo que Ele é e tem, em quanto necessitamos d'Ele e em como Ele mesmo é nossa vida, sentimos segurança de que basta pedir e Ele terá imenso prazer em nos levar a uma comunhão mais íntima com Ele e nos ensinará a orar como Ele ora.  [...]

"Senhor, ensina-nos a orar." Sim, a orar. É isso que precisamos aprender. Embora, a princípio, oração pareça ser algo tão simples que até a mais débil criança pode fazer, também é, ao mesmo tempo, o trabalho mais sublime e santo que o homem pode realizar. Ela é comunhão com o Deus Invisível e Santíssimo. É a compreensão de que os poderes do mundo eterno estão à nossa disposição. É a própria essência da verdadeira religião, o canal de todas as bênçãos, o segredo do poder e da vida. [...]


"Senhor, ensina-nos a orar." Sim, a nós, Senhor. Temos lido em Tua Palavra as orações poderosas que Teus servos do passado fizeram e as grandes maravilhas que Tu operaste em resposta às suas petições. [...]


Se Tu tens confiado a nós a Tua obra, se de nossas orações também dependem a vinda de Teu reino, se por meio de nossa oração Teu nome pode ser glorificado, então, "Senhor, ensina-nos a orar". Sim, a nós, Senhor. Eis-nos aqui como Teus aprendizes; queremos de fato ser ensinados por Ti. "Senhor, ensina-nos a orar." [...]


Só se aprende a divina arte da oração eficaz em meio à dolorosa consciência de nossa ignorância e falta de merecimento e em meio ao conflito entre crer ou duvidar. Mesmo que não estejamos cientes disso, o Autor e Consumador de nossa fé e de nossa oração, o qual zela por nossos pedidos e observa os que n'Ele confiam, sim, Ele é o maior interessado para que nossa educação na escola de oração alcance a perfeição. Que brote no mais profundo de nosso coração um desejo ardente por aprender a orar, desejo esse produzido pelo reconhecimento de nossa ignorância e pela fé no nosso Mestre perfeito. [...]


Por meio do Espírito Santo Ele penetra nosso coração e nos ensina a orar revelando-nos o pecado que impede nossa oração, ou nos dá a garantia de que nossa oração foi aceita por Deus. Ele ensina não apenas nos dando ideias sobre o que pedir e como pedir, mas soprando dentro de nós o próprio espírito de oração, e ainda vivendo dentro de nós como Grande Intercessor. [...]


Separe tempo não apenas para meditar, mas para orar e permanecer diante do trono, para ser treinado no trabalho de intercessão.



"Senhor, ensina-nos a orar."
 
Bendito Senhor! Que vive eternamente em oração, Tu podes me ensinar a orar também e, do mesmo modo, a orar eternamente. Sei que Tu terias imenso prazer em me fazer compartilhar da Tua glória no céu, levando-me a orar sem cessar e a permanecer para sempre como sacerdote na presença de meu Deus.
 
Senhor Jesus! Peço a Ti que a partir de hoje inclua meu nome no rol daqueles que confessam sua incapacidade de orar como convém e que rogam muito encarecidamente a Ti por um curso que os ensine a orar. Senhor, ensina-me a perseverar Contigo nesta escola e a separar tempo para ser treinado por Ti! Que um profundo sentimento de minha ignorância, do imenso privilégio de experimentar o poder da oração, da necessidade do Espírito Santo como Espírito de oração, me leve a rejeitar de uma vez por todas os pensamentos de que sei como orar e me faça prostrar, em pobreza de espírito, diante de Ti e em verdadeira prontidão para aprender.
 
E enche-me, Senhor, da confiança de que com um professor igual a Ti é impossível não aprender a orar. Certo de que tenho Jesus como meu mestre, o qual está sempre orando ao Pai, e que por meio de Sua oração governa o destino de Sua Igreja e do mundo, eu declaro que não temerei. E à medida que eu precisar conhecer os mistérios do mundo da oração, Tu me irás descortiná-los. E quando eu não souber como prosseguir, Tu me hás de ensinar a ser forte na fé, dando glória a Deus. 
Bendito Senhor! 
                     Tu não decepcionarás um aluno que confia em Ti, nem, por Tua graça, ele a Ti. 

                      Amém.



Com Cristo na Escola da Oração - Andrew Murray



De todas as características de uma vida semelhante à de Cristo não há nada mais sublime nem mais glorioso do que se conformar a Ele na obra a qual agora, incessantemente, Se dedica na presença do Pai - Sua poderosa e eficaz intercessão.
[...] Este livro foi escrito  sob profunda convicção de que o lugar e o poder da oração na vida cristã têm sido muito pouco compreendidos. Estou bem certo de que enquanto considerarmos a oração apenas um meio de manter nossa vida cristã, nunca alcançaremos seu pleno significado. Mas se aprendermos a considerá-la como parte mais sublime do trabalho a nós confiado, como a raiz e a força de todo o empreendimento divino, mais nos conscientizaremos de que, acima de qualquer outra coisa, precisamos estudar e praticar a arte de orar corretamente.
[...] Cristo nos ensina a orar não apenas pelo exemplo, pela instrução, pelo mandamento ou pelas promessas, mas através de revelar-nos a Si mesmo como o intercessor eterno, como nossa Vida. Apenas quando crermos nisso, e irmos e permanecermos n'Ele também para a nossa vida de oração, é que os nossos temores de não sermos capazes de orar corretamente desvanecerão, e alegre e triunfantemente confiaremos em nosso Senhor para nos ensinar a orar, para ser Ele mesmo a vida e o poder de nossa oração.
[...] E que todo temor quanto à nossa capacidade de cumprir nossa vocação desapareça à medida que virmos Jesus, que vive para orar, que vive em nós para orar e oferece Sua própria garantia para nossa vida de oração.



 

Na história da igreja, alguns nomes se tornam sinônimos de devoção profunda, vida interior vibrante e consagração radical. Andrew Murray é um desses nomes. Seu legado permanece como um convite silencioso — e ao mesmo tempo insistente — para que o cristão abandone as superficialidades religiosas e mergulhe nas profundezas da comunhão com Deus.

Andrew Murray (1828-1917) nasceu na África do Sul, filho de missionários escoceses da Igreja Reformada Holandesa. Foi pastor, escritor e figura central no movimento de santidade do final do século XIX e início do século XX.

A espiritualidade de Murray uniu o evangelicalismo escocês, a piedade reformada holandesa, o continental Réveil espiritualidade[1], pietismo alemão. Seus escritos devocionais enfatizam a permanência em Cristo, a humildade, a rendição, a oração, a santidade, a abnegação e a presença residente de Deus.

Escreveu mais de 200 obras, muitas delas devocionais, nas quais o tema recorrente era o chamado à intimidade com Deus através da oração, da humildade e da plena entrega ao Espírito Santo.

Seu livro mais conhecido, Com Cristo na Escola da Oração (1885), ainda hoje é uma bússola para os que desejam crescer na vida de intercessão.

Andrew Murray percebeu que somente Com Cristo na Escola de Oração é possível haver vida cristã vitoriosa e que o ministério da oração é o segredo e a base para a sustentação e o avanço da obra de Deus na Terra. Assim, negligenciá-la é a raiz da doença espiritual da Igreja e a estagnação da obra de Deus. Com Cristo na Escola de Oração nos exorta a alcançar uma vida poderosa em plena união com Ele, a compartilhar, pelo Espírito, da intercessão daquele que hoje vive para interceder por nós (Hebreus 7:25) e a levar Sua obra adiante. Aprendendo as lições com o Mestre, seremos livres dos enganos que nos fazem sentir confortáveis com orações sem resposta, pois a oração que está realmente em união com Cristo é sempre respondida.

 



[1] O Réveil espiritualidade refere-se a um movimento de avivamento e renovação espiritual que ocorreu na Europa Continental no século XIX, conhecido como Avivamento Continental ou Réveil Genebrino. Este movimento surgiu como uma reação contra o racionalismo teológico dominante e envolveu uma série de avivamentos entre evangélicos, especialmente em Genebra, onde jovens seminaristas fundaram a Sociedade dos Amigos em 1802-1805, buscando ajudar os pobres e aflitos.

 



segunda-feira, 25 de maio de 2026

 

Para o salmista, experimentar o caminho da verdadeira felicidade significa praticar os ensinamentos de Deus.  

“Felizes são os que não podem ser acusados de nada, que vivem de acordo com a lei de Deus, o Senhor! Felizes os que guardam os mandamentos de Deus e lhe obedecem de todo o coração! ” – Salmo 119.1-2. 

Neste sentido, a chave da felicidade está na obediência, ou seja, praticar os princípios e valores do Reino de Deus em nossas vidas; não basta conhecer, é preciso viver.

Jesus ensina que “se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (João 14:15). A grande ênfase está na vivência (prática) dos princípios e valores do Reino, e não no conhecimento puramente intelectual (mental).

Nosso objetivo é sermos iguais a Jesus e isso implica em imitá-lo na prática, não na teoria.

Admirador é aquele que conhece e gosta de alguém; Discípulo é o que segue e imita o mestre!

C.M.V. – mar, 2011

📷 by Andréa

sexta-feira, 22 de maio de 2026


“O propósito de Jesus era formar uma comunidade de discípulos apaixonados e comprometidos com missão de viver e implantar o Reino de Deus neste mundo." - (Eduardo R. Pedreira)

“Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês”. - Mateus 28:19

O texto fala de ensinar aos novos discípulos o caminho da obediência, ou seja, a ênfase não está no campo da informação, mas sim da vivência dos ensinamentos de Jesus.

Há uma grande diferença entre conhecer (informação) e obedecer (formação). Ter informação não significa um compromisso com esta informação – a relação é impessoal e descomprometida.

Jesus não quer que os seus discípulos tenham informações sobre ele; Jesus deseja que seus discípulos aprendam a praticar todas as coisas, obedecendo em tudo. A ênfase de Jesus é para um estilo de vida que inclui a vivência prática de sua mensagem. É necessário a formação espiritual dos discípulos.

A formação espiritual cristã é o processo de cultivar cotidianamente uma relação de amor com o Pai, através da prática de exercícios espirituais, que irá nos transformar na imagem de Jesus, sob o poder do Espírito Santo. Nossa missão é ensinar este caminho a todas as pessoas.

 

C.M.V. – fev,2011

📷 by Andréa

quarta-feira, 20 de maio de 2026

 

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele”. – Romanos 12:2

Toda pessoa que quer alcançar um objetivo na vida precisa de disciplina. Um atleta precisa de disciplina (treinamento adequado) para obter bons resultados em sua modalidade; assim, a disciplina para atleta se torna um estilo de vida para uma vida vitoriosa. E o discípulo de Jesus?

“A plena participação na vida do Reino de Deus e no companheirismo vívido de Cristo chega a nós por meio do exercício apropriado das disciplinas para a vida no espírito”. (Dallas Wilard)

As disciplinas espirituais são a porta de entrada para a liberdade, ou seja, nos conduzem a uma vida plena e feliz com Jesus. Elas são para nos ajudar a experimentar a vontade de Deus em nossas vidas, para nos ajudar em nossa caminhada como discípulos de Jesus. São o caminho para o discípulo atingir e cultivar a maturidade espiritual.

A igreja de Jesus precisa de discípulos que tenham maturidade suficiente para resistir ao mal, discernir as armadilhas do inimigo, cuidar dos outros, ensinar e aconselhar os mais novos, e indicar o caminho de Deus.

As disciplinas espirituais – meditação, oração, jejum, estudo, simplicidade, solitude, serviço, confissão, adoração, celebração, dentre outras – nos indicam o caminho do crescimento espiritual, para uma vida espiritual profunda e madura.

 

C.M.V. - fev,2011